quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O Retorno do Trio (I Canoas Jazz)





Fazia pelo menos 10 anos que não tocávamos juntos nesta formação: Dunia Elias, pianista/compositora, Giovani Berti, percussão, e este blogueiro (Artur Elias) à flauta. Em 1999 e 2000, com o nome de Ombro Amigo, esse trio fez fez vários shows Porto Alegre e  duas turnês pelo Interior do Estado.

A oportunidade surgiu quando a Dunia foi convidada para o I Canoas Jazz Mercosul e decidiu compartilhar este momento comigo. Lembramos do inigualável Giovani e dos bons momentos que passamos juntos. Felizmente ele tinha a data disponível; marcamos um reencontro/ensaio, e o clima surgiu na hora, a música flui como se nunca tivéssemos parado.

A base do nosso repertório era (e ainda é) o choro. Nosso estilo é bastante enraizado na tradição, e inova na instrumentação, bastante atípica para o gênero. Neste show vamos tocar várias composições da Dunia, que é um dos diferenciais do Trio. 

O I Canoas Jazz é um evento impressionante. Durante esta semana passarão por lá dezenas de excelentes músicos, alguns grandes artistas, e pelo menos um gênio da música universal: Hermeto Pascoal.

Não deixe de conferir a programação na página oficial do festival. Mais bacana ainda é o blog Jazz Mercosul, que repercute os shows de cada dia com fotos e vídeos. 

E se quiser prestigiar o Trio, nosso show é amanhã (sexta-feira, dia 25), na Estação São Luiz do Trensurb, às 18:00. Repertório: composições de Paulinho da Viola, Maurício Carrilho, Severino Araújo, Pixinguinha e Dunia Elias. 

Participação muito especial de outro grande amigo, o cantautor/violonista Leonardo Ribeiro.

Ou aguardem - estamos voltando!






sábado, 8 de outubro de 2011

IV Encontro Estadual de Flautistas RS


Começa hoje!





PROGRAMAÇÃO MUSICAL DO ENCONTRO



RECITAL  I

8 DE OUTUBRO (SÁBADO)
STUDIO CLIO às 20:30

Georg Philipp Telemann (1681-1767)
Quarteto em mi menor, “Parisiense”

Flautista Cláudia Schreiner (traverso)
Vinícius Nogueira violino        Diego Schuck Biasibetti viola da gamba
Ana Paula Freire contrabaixo        Fernando Turconi Cordella cravo



Joachim ANDERSEN (1847-1909)
Estudo op. 63 nº 12, em sol # m
Frédéric F. CHOPIN (1810-1849)
Estudo op. 25 nº 1, em lá b M
Joachim ANDERSEN

Estudo op. 15 nº 5, em Sol M
Gary SCHOCKER (1959)
Estudo nº 2

Estudo nº 7

Robert DICK (1950)
Estudo nº 1 (de “Flying Lessons” – Contemporary Concert Etudes)

Hermeto PASCOAL (1936)
Estudo para 2 Flautas*

Flautista Artur Elias Carneiro  (*Participação especial: André Mendes, flauta )


INTERVALO


 Camargo Guarnieri (1907-1993)
Improviso no 3 (1949)
Sigismund Neukomm (1778-1858)
Fantasia (1825)
César Guerra Peixe (1914-1993)
Melopéias no 3 (1950)
Marlos Nobre (1939 - )
Solo I (1984)
Edino Krieger (1928 - )
Tocatta Breve (1997)
Paulo Costa Lima (1957 - )
Aboio op. 65 (2002)

Flautista Lucas Robatto



Osvaldo Lacerda (1927-2011)

Improviso #1 para flauta solo
Ian Clarke (n. 1967)

Zoom Tube
François Borne (1840-1920)
Fantasia Brilhante sobre temas da ópera Carmen de Bizet

Flautista  Danilo Mezzadri
Leandro FaberPiano








RECITAL  II

9 DE OUTUBRO (DOMINGO)
STUDIO CLIO às 19:30





Diego Silveira
Tango de Oon  Feldman para 4 flautas(estréia mundial)

Flautistas André Mendes   Cláudia Schreiner    Leonardo Winter   Artur Elias



 

Eugène Bozza (1905-1991)

Image, Op.38, para flauta solo
Igor Stravinsky (1885-1971)
Suite Italienne


Flautista João Batista Sartor



 

Alexandre Eisenberg
Prelúdio e Fuga, para duo de flautas*

Amaro Borges

Aspectos de Uma Casa (sobre poema de Carlos Drummond de Andrade), para flauta e piano (estréia mundial)

Flautista Alexandre Eisenberg   (*Participação especial: Artur Elias )
Vera Vianna, piano



  INTERVALO



Olivier Messiaen (1908/1992)

Le Merle Noir-1952
Januibe Tejera (1979)

 Sonata-2004
Flautista André Mendes
Joana Holanda piano





Marin Marais (1656-1728)
Les Folies d'Espagne

Gabriel Fauré (1845-1924)

Sonata em Lá M op. 13



Flautista Ramson Wilson
Cristina Caparelli Gerling, piano





quarta-feira, 29 de junho de 2011

Réquiem de Brahms - Ressurreição de Blog


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As primeiras frases da música esgueiravam-se, suaves, belas, quase pastorais, um pouco escuras por serem dedicadas exclusivamente aos instrumentos graves de cordas - os violinos só entram a partir do 2º movimento. Logo entrava o coro: 

Selig sind, die da Leid tragen,
denn sie sollen getröstet werden

Bem-aventurados os que padecem sofrimentos,
pois eles serão consolados

Estava estabelecida uma atmosfera de grande atenção, contemplação emotiva, de uma doce tensão, por assim dizer, que não seria quebrada durante os cerca de 70 minutos que dura o Réquiem Alemão de Johannes Brahms.
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Johannes Brahms por Eduardo Moctezuma


Então este foi mais um concerto oficial da OSPA. A Igreja da Ressurreição, nas dependências do Colégio Anchieta, nos recebeu pela segunda vez este ano; e revelou-se local mais do que adequado para esta genial obra do repertório sacro. Tirando o frio intenso, que nos fez sofrer muito no ensaio, mas que felizmente não conseguiu espantar o numeroso público. E, afinal de contas, recompensados foram os que aceitaram sofrer um pouco com a baixa temperatura.

O regente (Manfredo Schmiedt) e os solistas vocais (Susi Georgiadis e Daniel Germano) tiveram  excelente atuação. Foram realmente muito, muito bem. Quando à Orquestra, bem... a modéstia me impede de tecer maiores considerações.

A grande estrela do concerto, entretanto, foi o Coro Sinfônico da OSPA

O grupo vem progredindo de maneira consistente há muitos anos. Lembro-me muito bem da primeira vez que realizamos o Réquiem Alemão, com um grande regente convidado, Kurt Redel. Chegou-se a cogitar o cancelamento do concerto, pois às vésperas do mesmo, o coro mostrava enormes dificuldades para vencer os desafios vocais, melódicos, e harmônicos, da composição de Brahms. Houve um voto de confiança, muito trabalho, e, com grande superação pessoal de todos os envolvidos, conseguiu-se fazer o concerto. 

Ano passado levamos o Réquiem 2 vezes, uma em Novo Hamburgo, outra na Igreja São Pedro (se não me engano), aqui em PoA. O coro já não mostrava grande dificuldade "com as notas", por assim dizer. O texto musical estava seguro. Mas havia ainda dificuldades significativas com a afinação, nos trechos não apoiados pela orquestra, e nas complexas modulações brahmsianas. Havia tbém alguma dificuldade técnicas nas passagens agudas; por vezes o naipe de sopranos soava duro, um pouco gritado. Mesmo assim foi um belíssimo concerto, num nível muito superior àquele dos anos 90. 

A versão de ontem mostrou um coro quase que completamente seguro, à vontade. Vibrante, reagindo prontamente à direção do regente. Capaz de grandes contrastes dinâmicos. Capaz de se fazer ouvir sobre a orquestra, sem gritar. E aquelas passagens difíceis, que soavam mal ano passado? Não fui capaz de reidentificá-las. Pelo jeito deixaram de ser tão difíceis! Não é pouca coisa para um grupo não-profissional e não-remunerado, que dedica à música "apenas" uma boa parte de suas horas de lazer.

A dedicação dessas pessoas é uma inspiração. Oxalá que mais amantes da música larguem um pouco seus toca-discos e se dediquem a um fazer musical verdadeiro. Isso lhes trará incomparável satisfação e um insight que a experiência passiva de escuta - especialmente associada à reprodução mecânica de música - é incapaz de gerar. Música gravada é música morta. Quem faz música passa a entender um pouco aquilo que os outros só observam de fora. Quem faz música ouve música de uma maneira completamente diferente. Quem faz música adquire um respeito pela música viva e uma capacidade maior de curtir a experiência de escuta.




Isaac Karabtchevsky, nosso ex-Diretor Artístico, costumava dizer: "nada vem do nada".

Manfredo Schmiedt vem se dedicando a selecionar, treinar, ensaiar seus cantores há mais de 20 anos, enfrentando todas as dificuldades que advém do simples fato de se tratar de um grupo amador: pessoas que vêm e vão, falta de formação musical, só para mencionar duas.

A preparação vocal do Coro está atualmente nas mãos do barítono Ricardo Barpp. O Coro conta tbém com o regente assistente Diego Schuck. Dois músicos diferenciados, de grande talento, com quem já tive oportunidade de trabalhar algumas vezes.

Mas por que isso é importante, afinal?

Porque o grande repertório coral-sinfônico é parte importante da vida musical de qualquer comunidade. Algumas das obras mais geniais pertencem a esse gênero. Quando a voz humana e a palavra cantada se somam ao já complexo som de uma orquestra sinfônica, acontece alguma coisa que consegue transcender tanto a voz, a palavra, quanto a própria orquestra. Essa experiência é maravilhosa.

Porto Alegre e região têm muitos coros, então a música coral é relativamente bem difundida. Porto Alegre tem algumas (poucas) orquestras; desde o desmantelamento da Filarmônica da PUC, somente uma Sinfônica. A música orquestral está presente, ainda que não tanto como gostaríamos, e em constante risco. Entretanto, ouve-se muito pouco do grande repertório de oratórios e outras obras coral-sinfônicas. A paisagem musical fica incompleta. Nós músicos precisamos ouvir e praticar mais esse gênero. Nós instrumentistas de sopro muito particularmente; o coro é o modelo básico segundo qual o conceito de "naipe" deve ser moldado. Os estudantes de música precisam ouvir tbém.


O Réquiem Alemão conseguiu ressuscitar este Blog Brasileiro (que estava catatônico há muitos meses). Valeu, Johannes!





domingo, 10 de outubro de 2010

Uma Oferenda da AFFOSPA




Nasce uma nova iniciativa e um novo espaço para a música de câmara em Porto Alegre.

Os músicos da OSPA, através de seu órgão de classe (Associação de Funcionários da Fundação Orquestra Sinfônica de Porto Alegre - AFFOSPA) lançaram, no último sábado, dia 9 de outubro, na sala de ensaios da Orquestra, no Armazém A3 (Cais do Porto), sua própria série de concertos.


Este concerto inaugural representa o embrião da nova série de câmara, e, ao mesmo tempo, o marco inicial de uma nova fase da AFFOSPA.


A nova série de concertos de música de câmera constitui uma iniciativa de músicos da OSPA de criar um roteiro alternativo para esse gênero de música, e assim se aproximarem do público gaúcho em um ambiente mais íntimo e pessoal.

Fernando Cordella (convidado), cravo


Para este momento especial e simbólico, escolhemos a Oferenda Musical de Johann Sebastian Bach - uma coleção de peças baseadas em um tema musical apresentado a Bach, como desafio, por Frederico II da Prússia, o "rei-flautista". Inserimos uma sonata para flauta de J.G. Müthel - o último aluno de J.S. Bach - como elemento de contraste. Nossa seleção da Oferenda incluiu a grande Trio-Sonata para flauta, violino e contínuo, o Canon Perpetuus, e o transcendental Ricercare a 6.




Um projeto tão ambicioso só pode se consumar se for alimentado pela energia de muitas pessoas. A presença de músicos convidados, que se ombreiam a nós músicos efetivos da OSPA, nos enche de alegria e enobrece a série.


Luciano Dalmolin, contrabaixo; Cosmas Grieneisen, viola e coordenação geral



Carlos Sell, violino barroco



Artur Elias, traverso; Diego Schuck (convidado), viola da gamba


Como atração toda especial, tivemos os comentários do Prof. Dr. Ronel Alberti da Rosa. Figura única na cena cultural portoalegrense, nosso querido Ronel é instrumentista, regente, professor de filosofia e escritor (lançou recentemente A Sombra de Orfeu - Neoplatonismo Renascentista e o Nascimento da Ópera).

Suas falas durante o concerto, preparadas com grande cuidado, foram sempre curtas o suficiente para não tomar da música o lugar principal, e no entanto provocativas, profundas, como que socraticamente querendo (e conseguindo) "abrir a cabeça" dos ouvintes (e músicos tbém) para a experiência musical que se seguiria. A atuação de Ronel qualifica não apenas a série da AFFOSPA, mas a cena musical portoalegrense como um todo. Creio que ela estabelece um novo parâmetro para o conceito de recital comentado, que não deverá ser ignorado.



Impressões


A sala de ensaios da OSPA no armazém A3 do Cais do Porto é bastante problemática para a sua finalidade principal - acomodar os ensaios de uma orquestra sinfônica grande - e ainda requer investimentos para se tornar um local de trabalho adequado. No entanto, como sala de concerto, para grupos pequenos, revelou-se uma ótima alternativa: a acústica é boa, o ambiente, sóbrio mas agradável.

Como inexiste ali um palco, podemos montar a "cena" como quisermos. Tivemos a idéia de dispor os músicos em círculo, para favorecer ao máximo a escuta e o equilíbrio sonoro neste repertório polifônico e complexo. O público foi acomodado em um outro círculo (3/4 de círculo, na verdade), à volta dos músicos. Quase um teatro de arena. Essa disposição no espaço reflete bastante bem o ideal de organização horizontal, compartilhada; e parece favorecer tbém a integração dos ouvintes, diminuindo de certa forma o distanciamento entre músicos e ouvintes. O resultado foi mais do que satisfatório: uma verdadeira comunhão musical, momentos de rara beleza.

Para os próximos concertos, pretendemos experimentar com horários e formatos diferentes. Idéias é o que não nos falta. Esperamos que mais e mais colegas da Orquestra tragam idéias e propostas.



Agradecimentos:

aos músicos convidados Fernando Cordella e Diego Schuck, sem os quais este repertório não seria possível; ao Ronel pela generosa participação; à Direção da OSPA pelo apoio, muito especialmente nas pessoas de Éder Silva, responsável pela logística do A3, e Milena Fischer, assessora de imprensa; e ao Mano (Anibal Elias Carneiro) pelas imagens, plenas de emoção, sem as quais esta postagem não teria nenhuma graça!

sábado, 31 de julho de 2010

Música em Pessoa

A Rádio da Universidade (UFRGS) transmite um programa de entrevistas dominical, chamado Música em Pessoa, que a cada edição destaca uma personalidade musical que tenha algum tipo de relação com o Departamento de Música do Instituto de Artes da UFRGS - professores, ex-professores, alunos e ex-alunos, basicamente.

Dentre os já entrevistados estão alguns personagens preciosos, que eu chamo carinhosamente de "dinossauros" da música erudita sul-riograndense, como p.ex. Hubertus Hofmann, Hans Hess, Dirce Knijnik e Marcello Guerchfeld, todos importantes mestres formadores de instrumentistas, e compositores/formadores de opinião como Celso Loureiro Chaves e Flávio Oliveira.

O bacana é que o programa tem um blog mantido e atualizado pela incansável apresentadora Ana Laura Freitas, através do qual se pode (re-)ouvir as entrevistas já realizadas, em forma de podcast (no próprio ambiente do blog), ou baixar os arquivos para ouvir depois.


Aos poucos vai se reunindo ali um apreciável acervo de relatos; uma história recente da música de concerto portoalegrense na voz de muitos de seus protagonistas.



O programa destacou recentemente este humilde blogueiro.

Acho que a entrevista está realmente boa. Esse cara diz coisa com coisa. Estranhamente, concordo com tudo…

Alerta: não é uma entrevista politicamente correta. Alguns temas importantes foram propostos pela ótima entrevistadora Ana Laura Freitas: formação e sistema de ensino musical, auto-estima e profissão, saúde do músico, o que é uma orquestra, arquitetura de salas de concerto e teatros, o que é música de câmara, dentre outros. A conversa fluiu com evidente franqueza. Não espero que todos (as) concordem. Dizem que a unanimidade é burra.

A entrevista foi recheada com algumas gravações - as melhores que consegui localizar depois de recente mudança de domicílio. Algumas delas estão muito boas, considerando seu contexto.

Ao reescutar essas gravações, me deu uma vontade imensa de fazer um agradecimento de coração a todas as pessoas cujo som/atuação nelas se faz sentir:

Dunia Elias, Giovani Berti; todos os músicos da Orquestra de Câmara da Ulbra que tocaram comigo o difícil Concerto de Ivan Jevtic; todos os queridos colegas da OSPA que me ajudaram a realizar o Concerto de Carl Nielsen (especialmente os que trabalharam comigo fora do horário normal de ensaio); meus colegas do Quarteto Instrumental (Elena, Vladimir e Rodrigo); os regentes Abel Rocha e Tiago Flores; e - de uma maneira muito especial: ao Marcelo Sfoggia, sem o qual nenhuma dessas gravações (e quase nenhuma memória musical portoalegrense) existiria.

Link direto para o arquivo da entrevista aqui.



quarta-feira, 2 de junho de 2010

Unimúsica - improvisações com Santiago Vazquez

Um músico sem fronteiras, este Santiago Vazquez.

Um cara que aparentemente esqueceu de "aprender"
a se limitar e se encaixar em rótulos e compartimentos.

Inspirador.

E se de repente cada um de nós descobrisse
que pode ter a mente clara, aberta e flexível
de uma criança (sem deixar de ser adulto)?

Segue abaixo uma descrição do espetáculo
nas palavras do Xahrá de Faria.



Conheço o Santiago Vazquez há uns 10 anos. O cara é um dos maiores músicos que eu já conheci, no mundo. Toca todos os instrumentos, e é um virtuose impressionante em vários dos de percussão (incluindo a difícilima 'Mbira, do Zaire). Mas, mais do que isso, é compositor, produtor, band-leader de diversos grupos e criador de um sistema de senhas de improvisação coletiva que é uma das coisas que ele vai mostrar amanhã.
Vou ter a imensa honra e o ainda maior prazer de tocar com ele (piano, piano de brinquedo, acordeom e glockenspiel), pela primeira vez, e justo com um time de músicos de quem sou fã (vários deles ex-integrantes ou atuais integrantes do Arthur de Faria & Seu Conjunto): Artur Elias (flauta e flauta-baixo, o único não seuconjuntino), Fábio Mentz (fagote, latofone, bânsuri, harmonium), Ricardo Arenhaldt (bateria e percussão), Luke Faro (bateria) e Diego Silveira (xilofone, bendir, panelas, pandeiros).
Acabo de chegar do ensaio e posso garantir que foi uma das experiências mais profundas que eu já tive em música, numa absoluta felicidade, uma comunhão e uma alegria de criar coletivamente, mas com uma coordenação bem clara, uma música sempre irrepetível.
Eu, se fosse tu, não perdia por nada desse mundo esse show.
Por nada desse mundo.
20h, Reitoria da UFRGS, entrada franca (leva alimento não-perecível)
Beijo nas mina e abrazzo nos mano
A vida é boa
Arthur de Faria, este seu criado

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Proto-Oferenda bis; SBPoA se reúne

Muita gente ficou do lado de fora, alguns escreveram pedindo uma reprise, outros ainda solicitaram que a parte didática do concerto fosse aprofundada.

Então teremos a alegria de reapresentar a Proto-Oferenda. Desta vez acompanhada de uma breve contextualização histórica seguida de um guia de escuta/introdução a alguns aspectos da obra. Fica para mais adiante a montagem da Oferenda completa, acompanhada de cometários tbém mais aprofundados.

Sábado, dia 8 de maio, às 20:30, no Studio Clio.


Programa, ficha técnica e outros detalhes aqui.


foto: Chico Marshall


Sociedade Bach Porto Alegre
se reúne

Este concerto coincide com uma primeira reunião da recém-fundada Sociedade Bach Porto Alegre. Na verdade, relendo o release , me pergunto se está realmente programada uma reunião pós-concerto, ou se o concerto em si é a reunião.

Esta dúvida é muito interessante e serve para ilustrar um aspecto essencial da constituição da Sociedade.

O que é a SBPoA?

Sabemos quais são suas metas, definidas que foram na ata inaugural; mas, na prática, como se desenvolverão as atividades, quando, quem, onde, etc?

Creio que ninguém no momento tem respostas para estas perguntas, e me parece bom que seja assim.

Contudo, gostaria muito que mais músicos profissionais, amadores, e apreciadores da música, se sintam convidados a participar da SBPoA, se aproximem de fato, e, com seu apoio, suas idéias, seus sonhos, ajudem a dar forma a algo que está começando pequeno, e que pode se tornar algo muito grande e significativo.

A SBPoA nasceu de uma iniciativa de Chico Marshall, associado num primeiro momento a algumas personalidades musicais e intelectuais que de uma forma ou de outra são próximas do Studio Clio, que está abrigando a Sociedade neste primeiro momento.

Isso não significa que estas pessoas (especialmente os músicos) vão formar um corpo estanque e vitalício (em bom português: uma panelinha), muito menos que elas são donas da SBPoA.

Porto Alegre tem uma infeliz tradição de panelinhas, bem como outras formas de mediocridade* que muito contribuem para que nosso meio artístico e intelectual esteja muito menos interessante e significativo do que já poderia ser.

Que a SBPoA seja um marco na construção de uma outra maneira de atuar - uma maneira plural, horizontal, aberta a crítica construtiva, ao mérito advindo de talento & esforço.


* P.ex., a chamada mutual admiration society: grupo de pessoas que têm o hábito de expressar admiração e apoio (tão-somente), e elogiar umas às outras, com freqüência, de maneira recíproca (um troca-troca), às vezes exageradamente.
Sobre este tema e algumas de suas implicações existe um bom artigo do tradutor (e ex-pianista) Peter Naumann, intitulado "À Sombra da Escola do Elogio Mútuo", que descreve como esse comportamento impacta negativamente a produção cultural/intelectual sul-riograndense. Está na excelente coletânea "Nós, os Gaúchos", vol. I, de 1992.